Quem educa quem?

Um aluno de 16 anos da rede pública de Minas Gerais agrediu a diretora da escola com um tripé de ferro. Será que a escola não está conseguindo educar direito os adolescentes de hoje?

Esta pergunta está mal formulada. A escola não educa, ela escolariza. De acordo com o filósofo e doutor em Educação pela PUC-SP, Mário Sérgio Cortella, “educação é a formação da pessoa, e escolarização é um pedaço da educação”. Para ele, o trabalho realizado na escola deve ser uma continuação da educação de casa.

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Comenta-se que o mundo mudou e as crianças devem ser livres. Permite-se aos filhos, dormir a qualquer hora, comer o que desejam, comprar o que pedem no supermercado e quando chegam na escola estranham quando o professor pede silêncio, atenção ou que parem com a distração dos eletrônicos.

O pior de tudo é ver pais reclamando dos professores que não “deram a nota que o filho merecia” ao invés de corrigi-los pelo mal desempenho escolar. E os adolescentes, vendo tudo isso, se sentem, em casos específicos, no direito de agredir os docentes como se isso fosse normal. Em outros casos, ensinando aos filhos a mentir, dizer que estão passando mal para fugir dos deveres.

O problema é quando a responsabilidade da educação fica com a escola e se torna mais importante do que a educação de casa. Isso gera distúrbios. A escritora e professora Lya Luft afirma que “Professoras são tias, e muitas vezes a bagunça é generalizada, porque na família talvez seja assim”.

Seja amigo do seu filho e, mais que isso, seja pai e mãe. Criança e adolescente precisam de regras. Limites. Tenha com ele um relacionamento à base de diálogo. Procure conhecer o que se passa com ele. E também “é possível dialogar sem invadir a privacidade dos adolescentes”, complementa Cortella, ajudando-os a escolher a melhor opção.

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Em 1 Samuel, encontramos a história do sacerdote Eli e de seus filhos Hofni e Finéias. Por falta de disciplina, agiam de maneira imprópria e desrespeitavam a casa do Senhor. Deus avisou que haveriam consequências “Porque já lhe disse que julgarei a sua casa para sempre, pela iniquidade que ele bem conhecia, porque seus filhos se fizeram execráveis, e ele os não repreendeu.” – 1 Samuel 3: 13. Os jovens morreram tragicamente porque o pai julgou a educação dos filhos menos importante do que seus outros compromissos. Não basta ter sucesso profissional e fracassar no lar. Ou seja, não basta sermos pais, temos de assumir a responsabilidade de educar efetivamente nossos adolescentes.

– Cesar Guandalini

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